Mário Pinto de Andrade
Mário Coelho Pinto de Andrade (Golungo Alto, 21 de Agosto de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 1990) foi sociólogo e figura incontornável do nacionalismo angolano moderno, e da luta anticolonial nos anos 1950-1960. Foi um dos membros-fundadores do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Fez os estudos primários no Seminário de Luanda e foi ainda em Luanda que se inseriu nos grupos nacionalistas da Liga Nacional Africana, onde conheceu Ilídio Machado e Viriato da Cruz.
Em 1948, rumou a Lisboa, para estudar Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1951, juntamente com Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Lúcio Lara, Francisco José Tenreiro, entre outros estudantes e intelectuais de países africanos lusófonos, criou o Centro de Estudos Africanos, cujo objectivo era estudar a cultura e a história de África em geral e dos países africanos em particular, e reflectir sobre as problemáticas que os uniam.
Mário Pinto de Andrade deixou Portugal em 1954, para escapar à perseguição política desencadeada pelo seu activismo anticolonial, e radicou-se em Paris, onde teve oportunidade de conhecer outros círculos africanos, e de se relacionar com Léopold Senghor, Nelson Mandela, ou Frantz Fanon, com quem viria mais tarde a acertar o treino militar de militantes nacionalistas angolanos. Entre 1954 e 1958, trabalhou como chefe de redacção na prestigiada revista pan-africanista Présence Africaine e, em 1956, participou no 1º Congresso de Escritores e Artistas Negros, tendo, três anos mais tarde, tomado parte no 2º Congresso, em Roma.
Na década de 1960, foi o fundador e primeiro presidente (1960-1962) do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Em 1974, juntamente com outros militantes, como o seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, e Gentil Ferreira Viana, opôs-se à liderança de Agostinho Neto no seio do MPLA, criando a corrente que ficou conhecida como «Revolta Activa». Ao regressar a Angola, em 1975, rompeu definitivamente com o MPLA e exilou-se na Guiné-Bissau, país onde desempenhou funções governativas na Guiné Bissau, a convite de Luís Cabral, primeiro presidente daquele país (1974-1980).
Paralelamente, dedicou-se ao estudo da sociologia e à publicação de antologias e obras literárias. Nos anos 1980, já afastado da política activa, Mário Pinto de Andrade inicia um exílio que durará até ao fim da vida percorrendo vários países da Europa.
Mário Pinto de Andrade faleceu a 26 de Agosto de 1990, em Londres.